AUTO DE NATAL 2011

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22/12/2011 – Obrigado

Chegamos ao final de mais um ano meus amigos….! Agrade cimentos a todos que fizeram a história conosco este ano, nosso colaboradores,  patrocinadores, espectadores e fornecedores….

Um ótimo Ano de 2012 para todos, de muita paz e realizações!!

Texto: Suiara Zamarioli Foto: Gustavo Malagoni

22/12/2011 – Despedida

Última saída do ano para a estrada. Este ano o asfalto tratou de lapidar as arestas que me sobravam com toda a sua dureza. Mas tudo bem, afinal, não dá tempo para choramingos, há um público ansioso para ser surpreendido, bocas para se abrirem de encanto e palmas para aplaudirem. O artista, até quando dói, tem o dever de ser feliz, de fazer feliz, pois essa e a parte que lhe cabe em sua vida, em sua escolha, assim como ao médico curar, ao policial manter a segurança, ao cientista a descoberta, aos religiosos o mistério.

Olho para trás e vejo uma nuvem de poeira, misturados nela há um turbilhão de sentimentos, vejo olhos brilhantes de encanto serem assistidos por olhares marejados, vejo lágrimas molharem lábios que sorriem a plenos dentes, vejo muita irritação sendo abraçada por generosidade, vejo cumplicidade. Como disse, o asfalto trata de aparar as arestas. Nessa poeira que se levanta por esse caminho de milhares de quilômetros vai ficando, como em um mural, os retratos e os bibelôs intangíveis que conquistamos nesta empreitada de 2011. Olho para tudo e, agora cansado, juro para mim que nunca mais faço isso, mas ao mesmo tempo o menino que existe dentro de mim me diz: “Ah! Pára com essa conversa! Nós sabemos que você não vive sem isso!”.

O que dizer, é verdade, assim que descansar, fico louco pela estrada.

Quanto aos companheiros, não nos dizemos nada, mas só no olhar nos reconhecemos e compartilhamos nossos sentimentos. As lágrimas, fúrias, amores e paixões, ofensas, risos, afagos e dengos de outrora perderam o calor do momento em que aconteceram e agora assumem uma aparência mais amena, é como se olhássemos para trás e pensasse: “ah, que engraçado foi aquilo”. Os fatos deixam de ser fato para passarem a se tornar memória. Eu vejo tudo isso se transformar enquanto a poeira, lá atrás do ônibus, vai se levantando como um pó mágico e encantando tudo o que vivemos. Os hotéis, cervejas, segredos e cidades vão deixando a realidade para virar poesia. Como costumo chamar, poesia de asfalto.

Mas essa transformação só acontecerá por completo no momento em que a luz se apagar e a última palma for abraçada pelo silêncio da praça vazia. Para mim, esse momento é a deixa perfeita para que penduremos nossa alma no cabide e tiremos férias, afinal, depois de tanta coisa acontecendo em tão pouco tempo, a alma também precisa descansar…

Beijos a todos, todos mesmo, e até 2012, quando as almas irão sair dos cabides para voltar a encantar e serem encantadas.

Texto: Eduardo Viana


22/12/2011 – Nosso amigo secreto

Em ritmo de natal surgiu a idéia de fazermos um amigo secreto, mas várias complexidades da nossa vida não permitiam que ele fosse normal (rsrsrs… até isso!), não havia tempo nem dinheiro pra se comprar nada… então, para que a brincadeira não deixasse de existir foi combinado que o presente teria que ser algo que era seu e que gostaria de presentear o amigo, a ideia a princípio contou com algumas resistências, mas no decorrer todos acabaram curtindo e foi muito bom, vários momentos engraçados, alguns emocionantes…várias surpresas e ideias criativas para o presente, além de também alguns objetos  importantes para os donos foram dados, como o jogo de UNO que a Zabê deu para a Fernanda….Mas o momento top de criatividade foi o presente da Bruna para a Zabê: kit vegetariano, composto por: 1 band aid (para não ver a carne), um pom-pom (pra por no nariz e não sentir o cheiro) e 1 CD de músicas “relax” pra aguentar firme encarar tudo isso!!

Texto: Suiara Zamarioli

Foto: Suiara Zamarioli  e Zabê

 

17/12/2011 – Digno!

Nossa viagem está chegando ao final meus companheiros, e quase no final a trupe de rua se depara com um camarim digno, exclusivo, chuveiro quente, pia, papel toalha, com grandes e diversos espelhos, com luzes em torno… Se aprontar para o espetáculo é sempre uma aventura!! No interior da Bahia temos moradores próximos que abrem suas casas e garagens para podermos nos praprar, fazendo maquiagem, colocando figurino, aquecendo o corpinho com exercício…, tem lugar que é na rua mesmo e a criançada já começa a assistir a gente nos preparativos, cena no mínimo estranha para o cotidiano das pessoas que passam… aquele monte de palhaço se pintando, cílios postiços vindos do circo…purpurina…muita purpurina!!! Brilharei até o próximo Auto de Natal!!!rsrsrs… Apesar do título… (que é mais uma brincadeira minha)… tudo é digno… da rua ao grande teatro!!

A aventura de se expor e de se arriscar a trocar é por demais digna!!

Texto e Foto: Suiara Zamarioli ( Theatro Pedro II em Ribeirão Preto : Nossa estrutura foi montada em frente e disponibilizaram  o camarim para nós, os mambembes)

Na foto: Bruna Manchini

12/12/2011 – A criação da “Terra”

Atendendo a pedidos!! Muita gente me perguntando como aparece esta “Terra”, como uma carreta se transforma no globo terrestre do nosso espetáculo?

Parte 1 – Nossa Carreta

Parte 2 – As laterais se abrem!!

Parte 3 – Como uma grande “torta” as fatias vão sendo acrescentadas na grande plataforma formada pela abertura das tampas laterais da carreta.

Parte 4 -  A terra é finalizada!!! e começa o espetáculo!!!

Parte 5 – Essa é a super equipe de montagem que construiu e acompanha a turnê montando e desmontando nosso cenário embaixo de sol, de chuva!! Valeu meu povo!!

Texto  – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

fotos: Suiara Zamarioli e Kaleb Natal

01/12/2011 – Multidão

Ontem em Três Lagoas – MS, nossa apresentação fez parte do evento de abertura das comemorações natalinas da cidade. Uma Multidão de cerca de 12.000 pessoas estiveram presentes na praça. Um coral de 500 crianças!!! Fogos de Artifício, uma árvore de natal gigantesca ilumindada! Momento inesquecível!Foi emocionante e encantador! E nós da Equipe do Circo, tivemos oportunidade de assistir a tudo de camarote, lá de cima do guincho (nossa Lua) enquanto esperávamos pra começar o espetáculo!! Obrigada Três Lagoas – MS!

Texto e fotos – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

26/11/2011 – As pequenas coisas

Adoro sempre enfatizar esse tema durante a viagem do Auto de Natal, pois existem algumas coisas na vida que normalmente em nossas casas, no cotidiano não damos a menor importância, mas durante uma viagem longa dessas se tornam super importantes e são capazes de nos deixar muito felizes. Vou numerá-las abaixo:

1)banheiro: Nossa como é difícil encontrar banheiros limpos na estrada, em alguns lugares com certeza não sabem nem o que é vigilância sanitária!!

2)papel higiênico: Importantíssimo ter na bolsa!!Porque normalmente ou não tem, ou são “papel de enrolar prego”.

3)T (ou Benjamin): tenho todos os adaptadores possíveis, de 3 pra 2 pinos, tomada nova pra tomada velha…etc, ahhh mas todos marcados com a inicial do meu nome pra não sair morte!

4)Tomadas: A primeira coisa que fazemos quando chegamos aos hotéis colocar tudo na tomada:celulares, netbooks, bateria, luz de  emergência…

5)Lavar roupa e figurino: Nossa como é tenso!! Ficamos normalmente 1 dia em cada cidade!! Aí fica difícil lavar roupa, e tem que encontrar uma lavadeira ou lavanderia, esta segunda opção é rara e cara!Normalmente a roupa termina de secar dentro do ônibus!

6) café expresso: Afff….em extinção por aqui …. Quando se vê uma máquina é motivo de festa e a notícia logo se espalha!

7) Internet: Nãotem como ficar sem… e temos ficado bastante…

Texto- Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

21/11/2011 – Estrada

O motorista Edjail dá a ignição no ônibus, hora de partir. O sol ainda está dormindo e demorará a acordar (como na maioria das partidas). Na cidade corre, como água de riacho, os burburinhos dos espectadores do espetáculo, como se fosse a alma dos sorrisos que ali, diante do palco, ainda estivessem para memorizar tudo o que viu e guardou no coração. Fora do ônibus ainda se ouve, estilhaçando o silêncio, o som metálico das estruturas sendo guardadas. Dentro do ônibus os integrantes saltimbancos pousam suas cabeças acolchoadas de oníricos devaneios nos encostos e dormem. Ali e acolá ainda se podem ver alguns ouvidos sonolentos ouvindo música e pares de olhos atentos assistindo filmes nos computadores, mas o que reina é o silêncio, de sono e de vazio pós apresentação. No banco do co-piloto estou eu, acordado e brincando de guardião dos sonhos das pessoas, gosto de sonhar acordado. Sonho até que o sono me pegue em seus braços e me junte ao resto do grupo (com exceção do motorista, claro). Já na estrada a lua nos olha, lá

do céu, como um vigia noturno conferindo se a engrenagem do mundo continua rodando. Abro a janela do ônibus e deixo que o frescor noturno do vento estibordo entre e infle as velas do meu coração para mais uma jornada.

Rumino algumas impressões da cidade e da apresentação com o Edjail e logo, com que seduzido, me vejo submergido no beijo dos devaneios noturno meus. A rodovia é toda nossa e vogamos a plenas rodas. Os faróis delimitam até onde os olhos podem ver. Acompanhando-nos como soldados do sertão Piauiense, de par em par, se coloca a milícia de arranha-gatos à margem da pista, impedindo que os animais invadam nosso caminho, mas também deixando claro que suas dependências não podemos macular, a pena de sermos pungidos severamente por seus espinhos.

Todos os anos no Auto de Natal eu viajo por todo o Brasil, deixo os Flamboyants floridos em Minas Gerais, aceno às pa

lmas nos sertões, me umedeço no pantanal, vejo cana, milho, gado, gente. Algumas paisagens se tornaram conhecidas minhas, passam-se os anos e elas continuam as mesmas, mas o mesmo não continuo eu, e por isso, sempre as vejo com olhar novo, com novas descobertas. Esse é um privilégio de vida ao qual me presenteei.

Passo grande parte da noite esperando o sol acordar para surpreendê-lo acordando, mas o cansaço me pega, que não sou de ferro. Quem é surpreendido sou eu, que acordo com seu beijo quente em meu rosto avisando que já é dia (e há algumas horas, já!). Agora não mais os faróis do Ônibus, é o horizonte que delimita até onde meus olhos podem ver. Rodamos a noite toda e ainda quando acordo, ao lado da pista, estão os impávidos arranha-gatos velando o caminho. Eles não têm um centésimo do tamanho dos opulentos arranha-céus dos grandes centros, mas têm a ma

jestade régia dos heróis de verdade, aqueles que não têm super poderes, mas que superam todas as suas dificuldades.

Tãobem amparado assim,lanço mais um olhar na pista, confiro as horas no relógio, cego meus olhosno sol e cerro-os demoradamente, tranqüilo, aguardando a volta do sono e a próxima parada.

Boa viagem à todos.

Os da estrada e os do pensamento…

 Texto – Eduardo Viana (ator no Auto de Natal 2011 )

Foto: Suiara Zamarioli

21/11/2011 – Bode Pop

Na Bahia ainda…paramos em Remanso para almoçar e Doroti Martz aparece com um “mini” bode em seus braços.

Todo mundo queria tirar foto com o pequeno, queado todo o movimento e depois de entregue ao seu dono, ficou reclamando… Mééééémméeee!! Gostou de ser pop!!

Foto: Calma!! em breve (esta internet não está carregando as imagens)

texto e fotos – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

19/11/2011 – No meio do sertão

Nossa aventura continua… e põe aventura nisso!!

Estávamos indo pra Anjico dos Dias, “estrada de chão”, termo usado para estrada de terra… e de repente a carreta que leva o planeta Terra quebrou e quem foi socorrer?, (além dos Deuses claro sempre presentes em nosso trajeto)….o ônibus onde viajava a equipe…cerca de duas horas parados….sorte que o problema foi resolvido pelos motoristas mesmo…e a equipe tirou de letra a espera do conserto, no calor escaldante, na poeira, em parceria de vários insetos, etc….tudo  com muita brincadeira…(importante também nos momentos tensos)!!Tudo resolvido e seguimos viagem, atrasados , mas seguimos…

texto e fotos – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

17/11/2011 – Diretamente do centro da Terra

Cidade de JAcobina- BA, a Lua não pôde subir devido ao forte vento. Nós, do circo não fizemos os números, mas ficamos no centro da Terra em meio ao corre corre do espetáculo para entrarmos com o Anjo no final do espetáculo e fiz umas fotos exclusivas pra vocês!

texto e fotos – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

14/11/2011 – A estréia (pelo ângulo de uma cigarra)

Começar uma turnê com a primeira apresentação cancelada é chato. Muito chato.
Barrocas vai ter que esperar porque vamos dar um jeito de retornar à cidade. Santa Luz ficou com a missão nos receber na primeiríssima apresentação e choveu o dia todo. A possibilidade de haver mais um cancelamento era grande e todo mundo queria apresentar pra que desencantasse a coisa toda.

Eu já estava desacreditando que conseguiríamos quando a chuva milagrosamente parou e todo mundo começou a correr pra colocar tudo em ordem. Estréia é sempre uma loucura e rolava uma certa tensão no ar.

Estávamos atrasados mesmo. O diretor ia falando com o público que se aglomerava na frente da estrutura do palco, explicando que a chuva atrasou tudo. O atraso comprometeu a montagem de som e de luz então eu não podia fazer nada mesmo. Estava lá, com figurino, maquiagem de palco, violão no braço, em cima do meu palquinho lateral ( de onde eu vou narrando o espetáculo) aquecendo a voz com os canais do mic e do violão fechados. Eu lá, quase distraída. Quando de repente o canal da voz abre e minha voz sai alta pra caramba pela caixas e eu cantava ” jorge sentou praça na cavalaria..eu fico contente porque estou em sua companhia…” Jorge da Capadócia à capela com aquele “reverbão” socado até o talo. A praça pirou. Eu sou tão cara de pau, mas tão cara de pau que já que estava tudo atrasado mesmo eu ia ficar cantando e tocando enquanto o Daniel ajeitava as vozes. Abriu o canal de violão. Voz e violão agora, eu toda empolgada achando que iria sair toda bonita da passagem de som quando o diretor me avisa que tinha dado um problema no projetor e que era pra eu ficar ali, fazendo um som. Eu olhei pra aquele mar de cabeças, gente pra caramba, eu ali com meu violãozinho, nem um “percussa” pra dar um gás, nem um baixo pra dar aquele peso. É… era eu mesmo que tinha que distrair uma multidão até as coisas se acertarem.

Comecei a cantar assim, uma coisinha aqui, outra ali. O povão começou a aplaudir depois de algumas músicas. Eu sempre achando que no final daquela música aplaudida o espetáculo começaria. Não deu certo várias vezes. Fiquei 40 minutos cantando, conversando com o povo, quando falei que eu era a única da Bahia e que estava emocionada de tocar ali, na minha terra, o povo adorou, gritou, aplaudiu.
Lá fui eu cantando o que me vinha na cabeça. Quando eu cantei Gonzagão o povo cantou junto. Achei lindo. Mas quando eu cantei ” História de uma gata” do Saltimbancos eu realmente me emocionei. Um monte de gente, adulto,criança, novo, velho, todo mundo cantando o refrão comigo, cantando bonito mesmo, afinado, batendo palmas, no tempo certinho…ah, me deu vontade de chorar e meu coração sorriu porque a gente que é cigarra em mundo de formiga tem que acreditar que mesmo no interior do interior, em alguma cidadezica de nada, o que é bom, quando mostrado, é absorvido, assimilado, apreciado. Foi isso que eu vi. Uma praça lotada de uma cidade pequena do interior da Bahia cantando comigo uma canção infantil do Chico Batera Buarque.
Era o que eu precisava pra retomar a minha fé na vida e na arte.

Foi lindo!

Texto – Tatiana Rocha (cantora no Auto de Natal 2011 )

foto – Kaleb Natal (responsável pelo registro da turnê )

14/11/2011 – Figurino de estréia

Em clima de estréia descobre-se que o figurino da nossa cantora Tatiana Rocha não ficou pronto…. e aí o que fazer?  Colocar a mão na massa! Vanessa Paião , atriz do espetáculo e Tatiana Rocha, finalizaram durante a tarde o vestido! E ficou lindo hein? Improvisos e imprevistos da estrada!!

texto e fotos – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

 

11/11/2011 – A paisagem muda mesmo!!

Montanhas verdes de Minas! Passando a divisa já se vê as montanhas acinzentadas e a terra amarelada da Bahia!!

texto e fotos – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

09/11/2011

Da janela do ônibus vejo sumir lentamente a sede do Teatro de Tábuas em Campinas, vejo sumirem as casas abundantes e doutrinadamente construídas  lado a lado para aproveitarem melhor o espaço, vejo sumirem os carros, que são abundantes na anhanguera… Ah, a anhanguera… Vivo há tantos anos ao seu lado que, quando à noite, aquele seu chiado de motores e pneus infinito nem parece existir, acabo por tomar por silêncio aquele ruído ininterrupto. Nas como ia dizendo, pela janela do ônibus, tudo vai ficando pequenino aos meus olhos, vou deixando aquele lugar onde acordo e durmo todos os dias, aquele ambiente que chamo de lar.

Assim que o ônibus começa a singrar o oceano de asfalto a plenas marchas, a paisagem vai mudando lentamente, leeeentamente, lenta… mente… tudo via mudando… Tão lenta fica a mente, que uma certa narcolepsia toma conta de mim e acabo cochilando. Quando acordo novamente, é como se voltasse de um longo período de sono, mas de um sono de alma, e tudo que era novo volta a ser familiar. É como se eu fosse um pássaro que, de tanto viver na gaiola, se acostumou ao cativeiro e se esqueceu que podia voar. Mas basta um dia apenas fora dela para que, como se nunca houvesse esquecido, retomasse as asas e ganhasse o mundo.

Despertado da gaiola de concreto e das luzes artificiais, das montanhas de papel e das burocracias, aquilo ao qual à pouco chamei de lar, relembro que meu lar é a estrada, que é o mundo e não um lugar fixo!

Com minha alma e identidade completamente recuperados, olhos novamente pela janela e um sorriso cônscio vem bater asas em minha boca, abrindo e fazendo meus dentes florir para o novo mundo que se descortina lá fora. Meus olhos encharcados de cinza não existem mais, agora eles são coloridos e ávidos, tridimensionais e ágeis. Vejo, da minha janela, ao invés da sede do Teatro de Tábuas em Campinas, a sede do Teatro, que é o mundo! Ao invés das casas doutrinadas e apertadas, pequenos vilarejos à passarem por ela e pelo tempo sem pressa e sem o sufoco do pouco espaço, ao invés dos carros abundantes, e essa parte infelizmente só em alguns trechos, vejo carros antigos e poucos que surgem e nosso caminho sem pressa de chegar, e talvez nem queiram chegar a algum lugar. Os homens engravatados e de aparência frágil, como placas cinzas indicando “modernidade” deixam de povoar minha retina e em seu lugar vejo brotarem do chão os homens naturais, com suas enxadas em punho, acariciando a terra para tirar dela o seu alimento, e o mais escuro que trajam, o que mais pode se aproximar do cinza dos ternos, é a viva pele bronzeada do sol, que os segue dia a dia…

Aquele ambiente que chamo de lar não é aquele ambiente ao qual reconheço por lar agora, pássaro despertado, meu lar é a estrada, o mundo, o céu. À noite, a única luz que me alumia é a da Lua, que brilha acima das montanhas de pedra. Eu não falei delas? Pois é, elas são as substitutas dos grandes prédios, dos quais não sinto nenhuma saudade. Elas se erguem do chão com tamanha opulência que eu, adulto hoje, as olho com o mesmo olhar prostrado com que, quando criança, admirava os gigantes dinossauros que povoavam a minha imaginação.

O olhar cego que olhava a paisagem com tédio descascaram, bem com a alma que estava endurecida de cimento. Bem, hoje não venho até o blog para contar sobre a viagem em si. Vim para contar o que a viagem faz se transformar, ou melhor, se reconhecer em mim, que não por acaso tenho descendência de ciganos.

Estou de volta ao mundo real! É lindo! É como se um elefante voasse com asas de borboletas e fosse feliz assim!

Texto – Eduardo Viana (ator no Auto de Natal 2011 )

foto – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 )

BR116

08/11/2011 – Partida!

E a equipe parte rumo a Bahia, primeira cidade do roteiro: Barrocas. Três dias de viagem em um ônibus com 20 pessoas que atravessará o país!!

Texto e fotos – Suiara Zamarioli (Diretora de Comunicação e circense no Auto de Natal 2011 , postando da estrada)

ônibus do projeto, em frente a sede do Teatro de Tábuas. Equipe se despede dos colaboradores que ficam e mantêm tudo funcionando!

04/11/2011 – A corrida do papel picado

Zabê e Felipe assumem a guilhotina

 

Não é a Revolução Francesa e nenhuma cabeça será decepada nessa guilhotina!

 

Os atores Felipe Freitas e Zabê estão cortando pequenos quadrados de papel para uma das cenas do Auto de Natal 2011.

 

 

É… estão achando que vida de ator é fácil?

 

Mariana Linhares, jornalista (na sede) 

 

 

03-11-2011 – Ajustes finais

Felipe, Doroti e Sérgio falam sobre elementos da cenografia

 

O clima de ansiedade na sede do Teatro de Tábuas aumenta a cada segundo. O Auto de Natal está chegando e, por essa razão, os últimos ajustes estão sendo feitos.

Atores ensaiam suas cenas, o setor de comunicação prepara os materiais de divulgação, o audiovisual termina os vídeos das projeções, e por aí vai.

Estamos na reta final%2

21/11/2011 – Estrada